Cerca de 60 famílias do Careiro da Várzea, município localizado a 25 quilômetros de Manaus, receberam nesta sexta-feira (14) motores elétricos para equipar as rabetas utilizadas no dia a dia da pesca e do transporte. A ação faz parte do Projeto Pixundé, iniciativa da empresa Livoltek em parceria com o Instituto Somar Amazônia, em cooperação com a Universidade Estadual do Amazonas (UEA), que busca promover a sustentabilidade e eficiência energética na atividade pesqueira da região.
O pescador Adagilson Oliveira, que atua há mais de 30 anos no Careiro da Várzea, comemora a substituição do motor a combustível pelo motor elétrico na rabeta que utiliza para trabalhar.
“A pesca é quase um jogo: um dia você ganha, no outro não. Quando precisamos gastar com gasolina, muitas vezes já começamos perdendo. Com o motor elétrico, a economia é grande. Se Deus quiser, vamos ter uma melhoria na vida. Isso vai ajudar muito para conseguirmos sustentar a família”, destaca.
A amazonense Gilmara Bandeira, que encontrou a pesca como principal fonte de renda para a família, também recebeu um dos motores elétricos entregues pelo Projeto Pixundé. A pescadora afirma que a mudança representa um alívio no orçamento doméstico, pois uma parte do orçamento é destinado a compra de combustível.
“Com a rabeta, eu gasto muito com dinheiro para colocar gasolina e agora eu vou economizar bastante para conseguir ir pescar. Agora não vou precisar mais gastar com gasolina. Agora estou animada para aprender a usar o motor elétrico”, comemora.
Produção Amazônida e validação tecnológica
A ação com os 60 pescadores, integra o Projeto Pixundé, inspirado no peixe elétrico amazônico, e tem como propósito validar soluções que ampliem a autonomia e a sustentabilidade das comunidades ribeirinhas que possuem a pesca como principal fonte de renda. Durante seis meses, os pescadores irão testar o desempenho dos motores elétricos no uso cotidiano, contribuindo com informações essenciais para a consolidação da tecnologia. O objetivo é reduzir custos com combustível, incentivar a adoção de fontes limpas e renováveis e promover melhoria na qualidade de vida das famílias amazonenses.
Para o diretor do Instituto Somar Amazônia, Orsine Júnior, o projeto marca o início de uma transformação na mobilidade dos meios de transporte ribeirinhos no Amazonas como uma alternativa viável e transformadora por ser mais sustentável, com menor custo operacional e exigir pouca manutenção.
“O motor elétrico vai trazer uma economia de pelo menos um salário mínimo por mês às famílias dos pescadores. Ele não vai mais gastar com manutenção e combustível fóssil. Em breve, a Livolteck irá produzir os motores no Distrito Industrial de Manaus, então será feito do Amazônida para o Amazônida, gerando emprego e renda”.
Já o gerente da Livoltek em Manaus, Márcio Sousa, ressalta a importância da participação ativa dos pescadores no uso e avaliação dos motores elétricos entregues no Projeto Pixundé.
“Em um período de 6 meses, vamos envolver 60 pescadores. A ideia é trazer um feedback e um conceito de todos os pescadores para que a gente consiga ainda mais melhorar cada vez mais o projeto de motor da Livoltek”, explica.
Atualmente importados da China, os motores elétricos do Projeto Pixundé são pioneiros no Amazonas e representam um avanço significativo na transição energética do estado. Os motores passarão a ser fabricados pela empresa Livoltek no Polo Industrial de Manaus a partir de 2026, gerando empregos e ampliando a autonomia tecnológica no Amazonas.
(Fotos: Bruno Araújo)
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