Cresce no Brasil o número de pessoas com dificuldades para dormir; na Amazônia, calor, telas e rotina acelerada agravam o problema
Dormir bem está se tornando um desafio para milhões de brasileiros. Dados recentes da Fundação Oswaldo Cruz indicam que cerca de 40% da população adulta relata algum tipo de dificuldade relacionada ao sono, seja para adormecer, manter o sono ou acordar descansado.
A própria Organização Mundial da Saúde alerta que distúrbios do sono já configuram um problema de saúde pública global, com impactos diretos na produtividade, na saúde mental e no aumento de doenças crônicas.
Na região Norte, especialistas ouvidos pelo Igarapé News apontam fatores adicionais: noites quentes, alta umidade, iluminação urbana crescente e uso intenso de celulares antes de dormir.
A “epidemia silenciosa” da insônia
Pesquisas internacionais conduzidas pelos National Institutes of Health mostram que a privação crônica de sono aumenta em até 30% o risco de doenças cardiovasculares e está associada a maior probabilidade de obesidade e diabetes tipo 2.
No Brasil, levantamentos recentes indicam que após a pandemia houve aumento significativo nos relatos de ansiedade e alteração do padrão de sono. Especialistas chamam o fenômeno de “hiperalerta noturno”: o corpo está cansado, mas a mente não desacelera.
A falta de sono adequado interfere na liberação de hormônios como a melatonina e o cortisol, alterando o equilíbrio metabólico e emocional.
O que acontece no cérebro enquanto dormimos
Durante o sono profundo, o cérebro ativa mecanismos de limpeza celular, eliminando resíduos metabólicos acumulados ao longo do dia. Estudos conduzidos na Universidade Harvard demonstram que esse processo é essencial para consolidação da memória e proteção neurológica.
É também durante a noite que ocorre maior regulação hormonal, fortalecimento do sistema imunológico e reorganização das conexões neurais.
Dormir mal de forma recorrente, portanto, não afeta apenas o humor — compromete funções vitais.
Como melhorar o sono naturalmente
Especialistas defendem mudanças comportamentais antes do uso de medicações contínuas.
- Regularidade é essencial
Manter horários fixos para dormir e acordar ajuda a estabilizar o ritmo circadiano.
- Luz natural pela manhã
A exposição ao sol logo cedo auxilia na regulação da melatonina à noite. Na Amazônia, onde o dia começa cedo, esse hábito pode ser um aliado poderoso.
- Redução de telas à noite
A luz azul emitida por celulares e televisores inibe a produção de melatonina. Estudos recentes apontam que o uso de telas até poucos minutos antes de dormir pode atrasar o início do sono em até uma hora.
- Sons naturais como aliados
Pesquisas em neurociência mostram que sons da natureza — chuva, rios, vento e canto de pássaros — reduzem níveis de cortisol e induzem relaxamento. Em regiões como Manaus, onde áreas verdes ainda estão presentes, especialistas recomendam aproveitar paisagens sonoras naturais como estratégia de bem-estar.
- Ambiente adequado
Quarto ventilado, escuro e silencioso é fundamental. No Norte, ventilação cruzada e redução de iluminação artificial fazem diferença.
Investigação: por que estamos dormindo pior?
Especialistas apontam três fatores centrais:
- Hiperconectividade digital
- Estresse econômico e social
- Mudança no estilo de vida urbano
O crescimento do trabalho remoto e a ausência de fronteiras claras entre horário profissional e descanso também impactam diretamente o ciclo biológico.
Além disso, o consumo excessivo de cafeína e energéticos tem aumentado, especialmente entre jovens adultos.
O impacto das telas no sono de crianças e adolescentes
Estudos recentes mostram que adolescentes que utilizam celular após as 22h apresentam maior risco de insônia e sintomas depressivos. Pesquisadores alertam que o cérebro em desenvolvimento é ainda mais sensível à exposição noturna à luz azul.
Especialistas recomendam:
- Retirada de aparelhos eletrônicos do quarto
- Horário limite para uso de telas
- Incentivo à leitura física antes de dormir
Um hábito que define saúde e longevidade
Dormir bem deixou de ser apenas uma questão de conforto. A ciência é clara: sono de qualidade está diretamente ligado à prevenção de doenças, equilíbrio emocional e melhor desempenho cognitivo.
Na correria do dia a dia amazônico, desacelerar à noite pode ser um gesto simples — mas com impacto profundo na saúde.
Imagem: Pixabay


ÚLTIMAS NOTÍCIAS
Especialistas explicam como melhorar o sono naturalmente
Tecnologia ajuda a combater desmatamento no Brasil
Grupo de grávidas de unidade de saúde da Prefeitura de Manaus realiza primeiro encontro de 2026
Plenário Ruy Araújo aprova proposta de Roberto Cidade que amplia proteção ao consumidor de operadoras de TV por assinatura e internet
Falta de remédios básicos em UBS leva MP a acionar Prefeitura e Secretaria de Saúde de Manacapuru
Joana Darc celebra nova estrutura para delegacia de crimes contra os animais no Amazonas