Um cenário de destruição e luto envolve a Espanha após o impacto de uma tempestade devastadora que atingiu principalmente a região de Valência, na costa leste, resultando na morte de pelo menos 158 pessoas e deixando dezenas de desaparecidos. Em poucas horas, a região foi inundada por uma quantidade de chuva equivalente a um ano inteiro, causando enchentes e destruição em cidades inteiras. As autoridades classificaram o evento como a pior catástrofe natural da história recente do país.
Impacto em Valência
Valência, a cidade mais afetada pela tempestade, ficou praticamente irreconhecível após a força das águas. Imagens registradas no local mostram veículos empilhados e bairros inteiros devastados. Pontes e estradas foram destruídas, e grande parte da cidade permanece sem energia elétrica e acesso a serviços essenciais. Cerca de 140 mil pessoas foram afetadas pela falta de eletricidade, e as equipes de resgate ainda trabalham em busca dos desaparecidos. A linha de alta velocidade que conecta Valência a Madri sofreu danos significativos, interrompendo uma rota fundamental de transporte.
“Ainda não podemos dar como encerrado este episódio devastador. Peço aos que ali vivem que tomem precauções extremas”, declarou o presidente Pedro Sánchez, que anunciou três dias de luto nacional e garantiu que a Espanha não abandonará as vítimas das enchentes. O governo central mobilizou cerca de mil soldados para auxiliar nas operações de resgate e suporte à população.
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O fenômeno Dana e o alerta climático
A tempestade foi causada por um fenômeno meteorológico conhecido como Depressão Isolada de Alto Nível (Dana), quando o ar frio se choca com águas quentes do Mar Mediterrâneo. Esse fenômeno é comum na região, especialmente no outono, mas raramente atinge a magnitude observada nos últimos dias. Segundo a Agência Estatal de Meteorologia da Espanha (Aemet), algumas áreas da costa mediterrânea chegaram a registrar até 445,4 litros de chuva por metro quadrado em apenas oito horas.
A agência prevê que as chuvas torrenciais devem diminuir a partir desta quarta-feira, mas alerta que regiões no nordeste, como a Catalunha, permanecem em risco, com previsão de granizo, tornados e rajadas de vento. Em comunicado, o serviço meteorológico Meteocat emitiu um alerta de perigo máximo, classificando a situação no nível seis em seis.
Críticas à resposta do governo e suspensão de serviços
Diante da tragédia, algumas vozes críticas se voltaram contra o governo regional de Valência, especialmente após a dissolução da Unidade de Emergência de Valência (UVE), ocorrida no ano passado. A medida é apontada como uma falha estratégica que enfraqueceu a capacidade de resposta local em casos de emergências climáticas severas.
Os serviços de transporte também foram drasticamente afetados. Além dos danos à linha de alta velocidade, centenas de voos foram cancelados, prejudicando a mobilidade dentro e fora do país. “A magnitude do impacto nas infraestruturas ainda está sendo avaliada”, disse o ministro dos Transportes, ressaltando que os reparos poderão demorar semanas ou até meses.
Luto e solidariedade nacional
O desastre natural mobilizou a solidariedade não apenas dos espanhóis, mas também de líderes internacionais. A presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, expressou sua gratidão aos primeiros socorristas e prestou solidariedade às famílias das vítimas. Já o rei Felipe VI, acompanhado pela rainha, declarou em uma coletiva breve que o impacto na infraestrutura foi “incomensurável” e reforçou suas condolências aos que perderam entes queridos ou ainda aguardam notícias de desaparecidos.
Em meio ao caos, surgiram rumores e informações falsas nas redes sociais, dificultando o trabalho das autoridades. As equipes de resgate orientaram a população a seguir apenas as informações oficiais, destacando que qualquer informação equivocada pode atrapalhar as operações de resgate e assistência.
As equipes de resgate ainda lutam contra o tempo para encontrar sobreviventes, enquanto a Espanha inicia uma lenta e dolorosa recuperação. “Para aqueles que ainda estão procurando por seus entes queridos, toda a Espanha chora com vocês”, afirmou Sánchez, ao prometer que Valência será reconstruída. A tragédia reacendeu o debate sobre a preparação e os investimentos em infraestrutura e mitigação de desastres climáticos na Espanha, enquanto as autoridades analisam o que poderia ter sido feito para reduzir os impactos.
Com o país em luto e a solidariedade da comunidade europeia, a Espanha tenta reunir forças para enfrentar o desafio de reconstrução após a tempestade do século.
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Fotos: Divulgação / Getty images
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