O Banco Central do Brasil lançou, nesta segunda-feira (1º), uma nova ferramenta gratuita de segurança digital chamada BC Protege+, voltada para impedir que contas bancárias sejam abertas sem o consentimento do titular. O mecanismo foi desenvolvido como resposta ao aumento de fraudes envolvendo uso indevido de documentos pessoais e tem potencial para transformar a proteção de dados no sistema financeiro nacional.
A funcionalidade permite que qualquer cidadão ou empresa informe oficialmente ao Banco Central que não autoriza a abertura de contas em seu nome. A restrição atinge a criação de conta corrente, poupança e contas de pagamento pré-pagas, e também impede a inclusão do CPF ou CNPJ como titular ou responsável por contas de terceiros, o que é comum em esquemas de fraude e lavagem de dinheiro.
Como funciona o BC Protege+
Ao ativar o bloqueio, a informação é automaticamente repassada para todas as instituições financeiras que consultam os dados do Banco Central antes de abrir uma nova conta vinculada ao CPF ou CNPJ. Com isso, os bancos passam a receber o alerta de que aquela pessoa ou empresa não autoriza a abertura de contas, funcionando como uma barreira adicional contra fraudes.
O serviço é oferecido no site oficial do Banco Central, dentro da área Meu BC. Para acessá-lo, é necessário:
- Ter uma conta no gov.br com nível prata ou ouro;
- Estar com a verificação em duas etapas ativada;
- Fazer login no portal Meu BC e ativar o serviço na seção BC Protege+.
O processo é simples, seguro e pode ser feito em poucos minutos. O bloqueio pode ser cancelado a qualquer momento, caso o cidadão deseje, futuramente, abrir uma nova conta. Importante destacar que a ferramenta não bloqueia a abertura de contas-salário, que são abertas diretamente por empresas para pagamento de funcionários e seguem outra regulamentação.
Proteção estendida também para empresas
Empresas também podem ser protegidas pela nova funcionalidade. Se o usuário estiver cadastrado como colaborador da empresa no gov.br, ele poderá ativar o bloqueio em nome da organização, ampliando o alcance da ferramenta no combate a fraudes corporativas, como abertura indevida de contas em nome de CNPJs usados indevidamente.
Números da primeira operação
A ferramenta entrou em funcionamento às 10h da manhã desta segunda-feira e já registrava, até o início da noite, mais de 19 mil ativações por usuários de todo o país. No mesmo período, as instituições financeiras realizaram 760 mil consultas ao sistema do BC, sendo que 456 retornaram com a informação de bloqueio ativo — o que impediu a abertura da conta.
Casos de fraude reforçam necessidade da medida
O lançamento vem em resposta a milhares de casos como o da pensionista Vania de Lima, que teve contas abertas em seu nome sem conhecimento e sofreu prejuízos com empréstimos realizados por estelionatários. “Já fui vítima, paguei muito dinheiro, fizeram empréstimo no meu nome sem o meu consentimento”, relatou.
Para o aposentado Roberto Luiz Ovídio, o sistema oferece mais tranquilidade: “A partir do momento em que eu cheguei lá e digo que não quero conta nenhuma, é conta nenhuma”, afirmou, ao ativar a proteção.
Impacto no sistema financeiro
De acordo com a diretora de Cidadania e Supervisão de Conduta do Banco Central, Izabela Correa, o BC Protege+ representa um avanço significativo na integridade do sistema financeiro nacional. “A gente espera que tenha redução, sim, de golpes e fraude de identidade na abertura de contas. É uma ferramenta que oferece mais segurança, especialmente para quem já foi vítima de vazamento de dados”, explicou.
Ela também reforçou que o sistema fortalece a credibilidade do próprio setor bancário, à medida que reduz a incidência de contas fantasmas ou abertas para fins ilícitos. “É um serviço para os cidadãos e também contribui para a promoção da integridade do sistema financeiro.”
A medida está alinhada à agenda de inovação e digitalização do Banco Central, que já implementou ferramentas como o Pix, o Registrato e o Open Finance, todos com foco em ampliar a autonomia e a segurança dos usuários de serviços financeiros.
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