Desde o mês de fevereiro, alunos do Pinocchio Centro Educacional e Martha Falcão, que fazem parte das Instituições Nelly Falcão de Souza (INFS), se engajaram em ideias inovadoras para apresentar na Conferência Infanto-Juvenil Socioambiental. O evento teve como tema central “Transformação do Brasil com Educação e Justiça Climática: ações possíveis para a Restauração de Igarapés, a Gestão de Resíduos Sólidos e a Arborização Urbana.” Durante os últimos dias, crianças e adolescentes deliberaram, aprovaram e decidiram a ordem de prioridade das iniciativas que farão parte da rotina da comunidade escolar.
“Os alunos estavam bastante empolgados e comprometidos com as discussões. Isso aí revela para a gente uma preparação prévia. Então, como nós tivemos as oficinas em fevereiro, eles tiveram um mês para se preparar, para buscar conteúdo, então as discussões foram muito proveitosas. E com certeza a gente vai ter frutos muito bons vindos ao longo deste ano de 2025 e 2026. Sem dúvida, a conferência é uma semente que está sendo plantada e o melhor pelos próprios alunos”, destacou o professor de biologia das INFS, Carlos Henrique Abreu.
Com mais de 40 votos, os alunos elegeram a colega Isabeli Tenuta, de 11 anos, para representá-los na Conferência Estadual Infanto-Juvenil, que está sendo organizada pela Secretaria de Estado de Educação e Desporto (Seduc-AM) e sem data definida. “Foi uma experiência muito legal, ver todo mundo podendo dar suas próprias opiniões e mostrar suas ideias. Estou bastante surpresa e empolgada em representar o colégio”, comenta a aluna.
A Conferência Infanto-Juvenil Socioambiental foi inspirada na Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP 30), que vai acontecer em novembro deste ano, em Belém (PA), e vai discutir pautas ambientais importantes, entre elas, a redução de emissões de gases de efeito estufa, mudanças climáticas e preservação das florestas e biodiversidade.
Projetos aprovados
Por meio do projeto “Renascimento dos Igarapés: igarapés limpos, vida limpa”, a ideia é implementar a construção de um site para divulgação das ações e engajamento da população manauara, criar um dia de conscientização para limpeza dos igarapés, e realizar mutirões de limpeza nos igarapés da cidade.
Já o projeto “Melhorias e otimização para a máquina Triciclo” será voltado para a gestão de resíduos sólidos. Os alunos sugeriram a criação de uma conta nas redes sociais para a conscientização da população. Além disso, a iniciativa vai buscar viabilizar a fabricação de uma máquina com “restos” de peças e componentes para descarte de resíduos sólidos e buscar parcerias e incentivos financeiros para a ferramenta.
Para a arborização da cidade, a ideia vencedora foi “Esportismo e Sustentabilidade: uma solução para o desmatamento urbano”, que vai promover o plantio de sementes e mudas nas áreas mais necessitadas de Manaus, incentivar o preparo da terra-preta nas próprias casas, visando a arborização, e irá realizar programações esportivas ligadas à sustentabilidade, favorecendo o engajamento da sociedade.
A arborização urbana será a prioridade inicial das INFS. A aluna Isabeli explica que o grupo responsável pela proposta buscou unir a paixão por esportes e sustentabilidade. “Os alunos gostam de participar dos jogos estudantis, então vimos aí uma maneira de tornar isso ainda mais divertido se engajasse os participantes a se envolverem na causa”, afirma.
Especialistas em sustentabilidade
O encerramento da conferência contou com uma mesa redonda mediada pelo professor Carlos Henrique Abreu sobre o tema do evento. A discussão foi encabeçada por três especialistas de peso: o engenheiro agrônomo Eron Bezerra, a bióloga Samantha Aquino Pereira e o biólogo Ricardo Braga.
Samantha iniciou o bate-papo falando sobre o atual cenário sobre a geração de resíduos sólidos no Brasil, que hoje produz mais de 80 milhões de toneladas por ano. “E a maior parte disso é descartado e tratado de maneira inadequada, principalmente nas regiões Norte e Nordeste do país, onde a maioria vai parar nos lixões”, informa.
A bióloga afirma que o ano de 2024, conforme a Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305, de 2010), era a data limite para os municípios realizarem as adaptações necessárias para acabar com os lixões, no entanto, a realidade é diferente. “Ter um aterro sanitário custa caro e traz impactos ambientais e para a saúde da população. Precisamos de outras alternativas para tratar esse resíduo”, aponta Samantha.
Já o biólogo Ricardo Braga destacou a importância da sociedade civil se engajar e implementar práticas sustentáveis, entre elas, plantar sementes e mudas de árvores que sejam nativas da região e entender mais sobre compostagem de resíduos orgânicos, que hoje representam quase 50% do lixo produzido no Brasil.
O agrônomo Eron Bezerra frisou os impactos, a adaptação e a vulnerabilidade da população, principalmente os mais pobres, às mudanças climáticas. “É preciso medidas emergenciais para que haja o desenvolvimento sustentável e evite que os recursos naturais se tornem cada vez mais escassos, porque ao contrário do que muita gente pensa, eles não são infinitos”, argumenta.
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(FOTOS: Divulgação)
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