Nos últimos dias, a capital amazonense, Manaus, experimentou uma leve melhora na qualidade do ar, com níveis considerados ‘moderados’. No entanto, a situação é bem diferente em várias cidades do interior do estado, onde a fumaça das queimadas continua a castigar a população.
De acordo com o Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal do Amazonas (UEA), municípios como Lábrea, Apuí, Humaitá, Itamarati, Boca do Acre e Tapuá estão enfrentando condições de ar ‘péssimas’. Lábrea, em particular, registrou uma concentração de material particulado de 794 µg/m³, 31 vezes acima do ideal. Boca do Acre também está em situação crítica, com 362,8 µg/m³ de material particulado, 14 vezes acima do recomendado.
A região conhecida como ‘Arco do Fogo’, que abrange partes do Acre, Rondônia, Pará e Mato Grosso, é a mais afetada pelas queimadas. O avanço da atividade agropecuária é apontado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) como a principal causa dos incêndios.
Em agosto, o Amazonas registrou 10.328 focos de calor, um recorde histórico, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Os meses de junho e julho também foram recordes, indicando uma tendência preocupante para a região.
Além dos municípios com qualidade do ar ‘péssima’, outras cidades registram níveis ‘ruins’ e ‘moderados’. Borba e Autazes estão classificadas como ‘ruins’, enquanto Tonantins e Eirunepé têm qualidade do ar ‘muito ruim’. Manaus, embora tenha melhorado, ainda está em nível ‘moderado’.
Em entrevista, Rodrigo Souza, cofundador do Selva e doutor em Meteorologia, alertou que a fumaça deve persistir nas próximas semanas. “Essa fumaça deve persistir hoje e amanhã também. Muito provavelmente deve-se alongar uns dias por aqui. Enquanto os ventos não retirarem essa fumaça da nossa região, ela vai persistir por aqui, porque a probabilidade de chuva é muito pequena”, afirmou.



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