Uma megaoperação deflagrada contra o Comando Vermelho (CV) nos complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte do Rio de Janeiro, resultou na prisão de traficantes oriundos do Amazonas, confirmou a Polícia Civil do Rio de Janeiro (PC-RJ) em coletiva nesta quarta-feira (29). A ação, iniciada na terça-feira (28), foi apontada pelo governo estadual como a mais letal da história do estado: 119 mortos e 133 presos, entre eles 33 suspeitos vindos de outros estados.
Além das prisões interestaduais, foram apreendidos 118 armamentos — 91 fuzis — e 14 artefatos explosivos; 10 menores foram apreendidos, informou o Palácio Guanabara. O secretário de Polícia Civil, Felipe Curi, afirmou que há inteligência apontando que líderes criminosos de várias unidades da federação, incluindo Amazonas, Ceará e Pernambuco, estariam transferindo ordens para homicídios a partir de locais onde teriam relativa tranquilidade.
Moradores do Complexo da Penha relataram ter encontrado pelo menos 74 corpos na Praça São Lucas e na Estrada José Rucas durante a madrugada seguinte à operação. O governo estadual divulgou balanços com números distintos em dias sucessivos — inicialmente 64 mortos, depois 58 confirmados pelo governador Cláudio Castro, e posteriormente o acréscimo até 119 mortos informado em coletiva. O número exato de presos por estado e as identidades dos detidos não foram divulgados pela polícia.
Fontes locais e testemunhas disseram que os corpos encontrados estavam na mata da Vacaria, na Serra da Misericórdia, onde concentraram-se confrontos entre agentes de segurança e traficantes. As autoridades afirmaram que haverá perícia para apurar eventual relação entre as mortes e a operação policial.
A investigação da Polícia Civil segue em curso, com apurações sobre a participação de integrantes de outras unidades da federação nas ações do CV no Rio. O caso levanta questionamentos sobre a rede interestadual de comando de facções e sobre protocolos de atuação de segurança em operações de grande escala. Autoridades informaram que novas informações poderão ser divulgadas à medida que o trabalho pericial e as investigações avançarem.
(Foto: Ricardo Moraes/Reuters)
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