Moscou ampliou suas operações militares para recuperar a região ocidental de Kursk, localizada na fronteira com a Ucrânia, informou o chefe do exército ucraniano, Oleksandr Syrskyi, nesta segunda-feira (11). A manobra russa ocorre em meio a uma ofensiva contínua no leste ucraniano e tem o objetivo de deslocar tropas ucranianas e recuperar territórios perdidos. A informação foi divulgada pela agência Reuters e repercutida em diversos veículos de comunicação internacionais.
A tentativa de retomar Kursk chega um dia após o jornal norte-americano New York Times relatar a mobilização de 50 mil soldados russos, reforçada pela presença de militares norte-coreanos. A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) havia confirmado, em outubro, o envio de tropas da Coreia do Norte para apoiar a Rússia no conflito, embora o Kremlin ainda não tenha comentado sobre essa colaboração direta com Pyongyang.
Leia também:
- Avião da Força Aérea dos EUA deixa Manaus após entrega de suprimentos para visita de Joe Biden;
- Austrália estabelece idade mínima de 16 anos para acesso a redes sociais;
- Tempestade do século deixa 158 mortos, dezenas de desaparecidos e cidades devastadas na Espanha;
Acordos bilaterais com a Coreia do Norte
Em 2 de novembro, um encontro diplomático em Moscou reuniu os ministros das Relações Exteriores da Coreia do Norte, Choe Son Hui, e da Rússia, Sergei Lavrov. Na ocasião, foi reforçado o compromisso de intensificar os acordos bilaterais, focados na assistência militar. Com o pacto, especialistas acreditam que a Coreia do Norte esteja fornecendo pessoal militar e, possivelmente, apoio logístico e material bélico ao exército russo. Esse movimento representa um aumento nas tensões geopolíticas, ao passo que o envolvimento de militares estrangeiros em solo europeu é visto como um agravante no já delicado cenário internacional.
Contexto da ofensiva em Kursk
A incursão ucraniana em Kursk, em agosto de 2022, marcou uma ofensiva significativa de Kiev em território russo, como resposta à invasão da Rússia iniciada em fevereiro do mesmo ano. Na época, forças ucranianas avançaram e estabeleceram controle sobre uma área de mais de 1.000 km² na região, forçando a evacuação de aproximadamente 121 mil civis russos. A resposta russa ao avanço ucraniano em Kursk foi promissora, embora marcada por dificuldades logísticas e estratégias que agora tentam corrigir.
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, prometeu que haveria retaliação à Ucrânia, e os movimentos militares no local refletem, em parte, essa resposta anunciada. Putin afirmou que a segurança e integridade territorial russa estavam em risco, aumentando os esforços para conter o controle ucraniano na região.
Crescimento da tensão entre Ocidente e Oriente
O envolvimento da Coreia do Norte no conflito ucraniano também cria uma nova dimensão de desafios para o Ocidente, que há tempos monitora a relação entre Moscou e Pyongyang. A Otan e diversas lideranças ocidentais condenaram a presença de soldados norte-coreanos, alegando que a ação intensifica os riscos de um conflito ampliado.
A escalada em Kursk surge como um ponto crucial para a Rússia, que, além de buscar retomar essa área na fronteira, quer consolidar suas forças na região leste da Ucrânia. Autoridades internacionais demonstram receio de que a presença de tropas estrangeiras no território europeu gere um efeito dominó de respostas militares.
A posição da Ucrânia e o apoio internacional
Kiev, que já vinha recebendo suporte militar e financeiro de várias nações ocidentais, solicitou que a comunidade internacional intensifique a ajuda em resposta ao movimento russo-norte-coreano. Com a confirmação da Otan da presença de soldados norte-coreanos na linha de frente, a Ucrânia busca reafirmar suas defesas e fortalecer alianças para evitar mais perdas territoriais.
O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky alertou que o novo impulso russo representa não apenas uma ameaça para o seu país, mas também para a segurança de toda a Europa. Ele pediu à comunidade internacional que se posicione e responda de maneira proporcional, o que pode indicar um apelo por sanções adicionais contra Moscou e Pyongyang, além de mais recursos militares e humanitários.
Próximos passos e desafios
As operações militares na região de Kursk podem ditar o curso da guerra nos próximos meses, e as ações russas serão acompanhadas de perto por líderes globais. O reforço das alianças militares entre Rússia e Coreia do Norte impõe um desafio ao Ocidente, que precisará calibrar suas respostas para evitar uma escalada sem precedentes.
A ofensiva em Kursk é mais um capítulo do conflito que já devastou a Ucrânia e continua a reverberar globalmente. Analistas consideram que os próximos movimentos serão decisivos, e a presença norte-coreana no conflito pode se provar um divisor de águas.
📲 Acompanhe o Igarapé News nas redes sociais.
Foto: Reprodução
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
Justiça encerra audiência de instrução de acusados por linchamento de motorista em Manaus
Mais de 40 produtores participam da Feira de Agricultura Familiar neste sábado
Open Internacional de Luta Livre Profissional acontece dia 27 de abril e inscrições promocionais estão abertas
Lei de Roberto Cidade busca desmistificar epilepsia e contribuir para a qualidade de vida do paciente
Criação do Mosaico do Baixo Rio Madeira impulsiona ações de conservação e fortalecimento territorial no Interflúvio Madeira-Purus
Matuê apresenta sua nova turnê “333” em Manaus neste final de semana