O Ministério Público Federal no Amazonas tem quatro ações contra o garimpo na Justiça Federal. A informação foi divulgada nesta terça-feira (7).
Ao g1, o órgão também informou que há 14 procedimentos extrajudiciais em trâmite no estado, todos relacionados a exploração garimpeira.
Os procedimentos fazem referência aos municípios de São Paulo de Olivença, Humaitá, Itamarati, Santa Isabel do Rio Negro, São Gabriel da Cachoeira, Santo Antônio do Içá e Apuí, além da Terra Indígena Vale do Javari e dos rios Madeira, Içá, Aracá, Jauari, Demeni e Rio Purutê.
No Brasil, o garimpo é considerado uma atividade ilegal. Isso porque, os bens minerais – como o ouro, que é o alvo de garimpeiros – são considerados bens da União. Também é bem do Estado as terras tradicionalmente ocupadas pelos indígenas, o que torna o crime ainda mais grave.
A Lei de Crimes Ambientais criminaliza mais claramente a ação do garimpo ilegal. O Artigo 55 do texto, diz que é crime “executar pesquisa, lavra ou extração de recursos minerais sem a competente autorização, permissão, concessão ou licença”.
A pena para esse tipo de delito é a detenção, que pode variar de seis meses a um ano, e multa.
No entanto, existe um projeto de lei tramitando na Câmara dos Deputados, que prevê pena de reclusão, de dois a seis anos, além de multa, para casos de exploração ilegal de matérias-primas em territórios indígenas, como ocorre no Amazonas.
Yanomami
Comunidade Yanomami no Amazonas — Foto: Divulgação
No sábado (4), o g1 denunciou que indígenas Yanomami que vivem no Amazonas estão sofrendo com o aumento de casos de diarreia e pneumonia nas comunidades, que também enfrentam a falta de medicamentos básicos para conter o avanço das doenças.
O problema, segundo, o comunicador Valdemar Lins, é consequência da ação de garimpeiros na região. De acordo com ele, há inúmeros garimpos dentro da Terra Yanomami, principalmente na fronteira do Brasil com a Venezuela.
A falta de fiscalização por parte das autoridades ajuda na proliferação de pessoas que se dedicam à prática criminosa na região.
“O garimpo fica na fronteira com a Venezuela, mas a entrada é por aqui. O acesso é feito por aqui e não há uma fiscalização propriamente dita, podemos assim dizer. Quando o rio enche, eles conseguem adentrar mais facilmente nessas regiões de garimpo através do lado brasileiro. E eles não usam dragas. Eles mexem nas cabeceiras dos rios e transitam por voadeira, motor 40 hp”, finalizou.
A crise vivida pelos Yanomami encontra um cenário ainda mais grave na Terra Indígena dentro do estado de Roraima. O Governo Federal chegou a montar uma força tarefa para enfrentar a crise humanitária.
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Pequena farmácia montada em uma comunidade Yanomami no Amazonas — Foto: Divulgação
No pedido, a Defensoria solicita que “as demandas apresentadas pelas comunidades Yanomami do estado do Amazonas sejam contempladas nos planos de ação a serem executados pelas equipes multidisciplinares, em especial as aldeias cujos postos foram fechados e se encontram há mais tempo sem atendimento”.


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